Video Digital

Vídeo Art

O Video art é um tipo de arte que se baseia em imagens em movimento e compreende dados de vídeo e/ou áudio. Porém, este tipo de vídeo, sendo considerado arte, deve ser distinguido dos vídeos, embora executados artisticamente, utilizados nos documentários ou nos noticiários. Isto porque, o que é realizado artisticamente, não é necessariamente arte, visto que é feito com outro propósito para além de fazer “arte”. Não deve também ser confundido com a televisão ou o cinema experimental.

O Video art apareceu durante os anos 60 e 70, sendo ainda regularmente praticado e tendo sido responsável pelo uso regular e pela expansão das vídeo-instalações.

Vídeo-instalações

A vídeo-instalação é um método de arte contemporânea que combina o vídeo com a própria instalação. Actualmente, para alguns artistas que estão plenamente conscientes do seu trabalho como uma extensão de si próprios, a apresentação e o que se encontra em redor dos seus trabalhos, começam a fazer parte da arte propriamente dita. O contexto de cada trabalho, para os artistas das vídeo-instalações, é um valor supremo.

Este ambiente circundante do trabalho, sendo, portanto, trabalhado, é outra forma de afectar a audiência.

Hoje, a vídeo-instalação pode ser vista numa série de ambientes, mas os mais frequentes são em galerias e museus.

Artistas de video art/vídeo-instalação

Nam June Paik

(1932-2006) nasceu na Coreia e começou cedo por ser um discípulo do famoso compositor Karlheinz Stockhausen, mas quando conheceu John Cage, na Alemanha, em 1958, onde estava a estudar, ele mudou o seu caminho de novo. Cage, um dos principais artistas americanos do século XX, era brincalhão, espiritual,  e paradoxal: Para ele tudo era arte, e arte era tudo. Paik ficou encantado com o exemplo de Cage e, em 1962 tornou-se membro do grupo Fluxus, um movimento internacional de artistas.

É dito que o vídeo art nasceu no dia em que Paik, na visita do Papa João Paulo VI a Nova Iorque, o filmou com o seu “Portapak”, de dentro de um táxi. Este vídeo foi considerado arte, porque o artista fez o vídeo como uma extensão da sua própria prática artística. Fê-lo com o intuito de capturar uma imagem que criava impacto cultural e artístico para ele, e não de gravar a visita do Papa como notícia. Assim, Paik surgiu como o artista de vídeo mais produtivo e influente, da mesma maneira que foi o primeiro “spokesman” do vídeo art.

«Da mesma forma que a colagem substituiu a pintura a óleo, também o tubo de raios catódicos irá substituir a tela.»

Em 1963, na Galeria Parnass, em Wuppertal, Alemanha, Paik encheu o espaço da galeria com televisões, algumas no chão, outras nas partes laterais, tudo com a intenção de quebrar a relação normal do espectador com a televisão.

The more, the better” – 1988 (“Quanto mais, melhor”) – Nam June Paik. Torre composta de 1003 monitores de TV, com 60 pés de altura, construída para os Jogos Olímpicos de Seul.

Homenagem a John Cage:

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Wolf Vostell

Um outro artista, pertencente ao Fluxus, é o alemão Wolf Vostell (n. 1932) que, numa das suas primeiras obras (1958), colocou seis monitores de televisão numa caixa de madeira por trás de uma tela branca. Assim como Paik reflectiu sobre o desaparecimento da tela, Vostell, numa exposição, afirmou: “A televisão é declarada como a escultura do século XX.”

“Sun in your head” (Fluxus, 1963)

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Ed Emshwiller

O americano Ed Emshwiller (1925-90), que era um pintor do expressionismo abstracto assim como cineasta e professor, explorou as capacidades dos sintetizadores de vídeo e dos sistemas de computadores com as suas próprias estratégias artísticas e electrónicas.

“Sunstone” (1979)

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Steina e Woody Vasulka

Também considerados pioneiros do video art, temos o casal Steina e Woody Vasulka (n.1940; n.1937) que emigraram para os Estados Unidos em 1965. Com intenção de desenvolverem as tecnologias do vídeo, criavam dispositivos para artistas, especialmente nas áreas do processamento digital e do processamento electrónico de imagens.

Os Vasulkas também tinham a curiosidade em conhecer o funcionamento interno do vídeo, em especial, a energia eléctrica organizada em tensões e frequências. Porém, não podem ser confundidos como engenheiros electrónicos da televisão comercial, visto que o que lhes interessava eram os mecanismos do vídeo com função artística.

Trabalhos:

Home (http://www.vasulka.org/Videomasters/pages_stills/index_33.html)

Neste trabalho, os Vasulkas incorporaram técnicas de cor e de imagens electrónicas para dar importância a objectos do dia-a-dia.

Golden Voyage(http://www.vasulka.org/Videomasters/pages_stills/index_30.html)

Nesta homenagem a Magritte, um trabalho com multicamadas, o casal inventou um novo significado para a manipulação electrónica que alterou as percepções dos espectadores.

Vocabulary (http://www.vasulka.org/Videomasters/pages_stills/index_95.html)

Este trabalho resulta de uma experimentação com manipulação digital de imagens. A mão que é filmada de perto é uma metáfora para a criação artística.

Trabalho de Steina:

(Nam June Paik contribuiu  para estas primeiras tecnologias com o seu “Paik/Abe Synthesizer”, que é um dispositivo que dá cor e manipula as imagens, desenvolvido com a engenheira de electrónica, Shuya Abe.)

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Joan Jonas

nasceu em 1936, é uma pioneira do video e performance art e uma das mais importantes artistas mulher que surgiu nos finais dos anos 60 e inícios de 70. Começou a sua carreira como escultora e só em 1968 se começou a dedicar ao video art.

Vertical roll (1972), que demonstra um sinal electrónico interrompido, que faz com que a imagem continue sempre a rolar pelo ecrã, utilizando o poder da repetição para fragmentar e desorientar as percepções do espectador em relação ao corpo feminino.

Left Side, Right Side(1972), neste trabalho, Jonas realiza truques e estratégias com a câmara e com o espelho, para ajudar a confundir a percepção da esquerda e da direita quando se observa a imagem.

Entrevista com Joan Jonas:

Sendo essa a sua intenção, Jonas cria, nos seus trabalhos, uma atracção pessoal e também uma paisagem feminina, ao usar o seu corpo de uma maneira como raramente o corpo feminino aparecia nos mídia convencionais.

“Trabalhar com o vídeo permitiu-me desenvolver a minha própria linguagem, uma linguagem poética.”

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Hannah Wilke

Uma outra artista que explorou a dinâmica de si própria e do seu corpo em relação aos retratos convencionais da mulher, foi a alemã Hannah Wilke (1940-1993). O seu trabalho mais conhecido é “Gestures”, onde ela foca a câmara na sua cara vista de perto, e executa gestos grotescos, desmistificando o corpo feminino como retratado no ecrã.

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Chris Burden

Porém, não só as mulheres artistas fizeram explorações do corpo, o Americano Chris Burden (n. 1946) desenvolveu uma série de acções nas quais utilizou o próprio corpo como material de trabalho e de comunicação, assumindo-se como um dos protagonistas do movimento da Body Art nos Estados Unidos.

“Shoot” (1971)

“Through the Night Softly” (1973)

Nas suas performances, era evidente a tendência para as acções mais extremas e radicais (quase suicidárias), através das quais procurava questionar algumas práticas sociais e tabus ligados à cultura contemporânea e, simultaneamente, colocar em causa a função da arte e a responsabilidade ética do artista. Os trabalhos tinham, portanto, o objectivo de chocar os espectadores, criando uma nova relação entre as performances e a audiência, visando suscitar o medo de carácter individual ou colectivo.

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Peter Campus

(n.1937) também se revelou um praticante do video art como uma exploração de identidade. Ele usava o vídeo como um meio para representar o seu “eu” interior e exterior.

“Three Transitions”

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Bruce Nauman

(n.1941) também fazia vídeos usando o seu próprio corpo. Algumas das suas gravações revelam o corpo como uma escultura que se movimenta pelo estúdio.

A geração em que Nauman estava inserido interessava-se nos novos modos de expressão.

O vídeo que se segue contém algumas das suas performances: p.e. Bouncing in the Corner no 1 and 2”; “Revolving Upside Down”; “Wall/Floor Positions”; “Violin turned D.E.A.D”; etc…

Video Corridor– este trabalho de vídeo-instalação consiste num corredor claustrofóbico que contém, no seu fundo, dois monitores, um por cima do outro. O espectador caminha pelo corredor para ver os vídeos, até que repara que são filmagens de vigilância do espectador. O impacto do vídeo depende do contexto do meio em que está inserido, e neste caso, há um sentimento de medo, criado pelas altas paredes do corredor.

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Bill Viola

(n.1951) começou uma longa exploração do seu próprio ser físico e espiritual nos seus trabalhos de vídeo dos anos 70 e 80 e tem criado uma série de trabalhos de video art e de vídeo-instalações desde o início dos anos 70. O seu trabalho, provavelmente mais do que qualquer outro, representa a tendência de inserir o sentimento na arte. Viola descreve os seus vídeos como poemas visuais, aos quais ele atribui significados de identidade e espiritualidade do mundo moderno.

Desde meados dos anos 80, as vídeo-instalações têm-se tornado o seu método de apresentação de eleição.

Bill Viola afirma: “O meu trabalho é centrado num processo de descoberta e realização pessoal. O vídeo faz parte do meu corpo; é intuitivo e inconsciente.”

Trabalhos:

The Messenger(1996) – esta instalação de três partes representa o homem em contacto e/ou conflito com os três elementos básicos: um homem nu encontra-se submerso em água, depois vem à superfície, inspira profundamente e volta a afundar-se.

The Crossing (1996) – oposto do “The Messenger”, em contexto de museu, projecta um homem que é gradualmente consumido por chamas e o mesmo homem que é lentamente “afogado” por grandes quantidades de água corrente.

O slow motion, os sons com alto volume, a rica coloração e a grande escala, contribuem para uma experiência cinematográfica de um homem imerso na natureza.

The Reflecting Pool (2005)

Acceptance (2008)

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Pipilotti Rist

é uma artista de video art muito conhecida, e defende ideais feministas.

“Ever is Over All”(1997)

“I’m not the girl who misses much” (1986) – de uma maneira frenética, Rist transmite a ideologia feminista.

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Matthew Barney

(n.1967) foi, provavelmente, o artista de vídeo-instalação que mais cortejou os assuntos relativos à identidade, com as suas explorações surrealistas da identidade masculina, que eram feitas para além dos limites convencionais.

Barney rapidamente passou dos vídeos onde ele aparecia nu a escalar as paredes do seu estúdio, em “Field Dressing”(1989), para cenários liberais e cheios de cor dos seus vídeos e instalações do “Cremaster”, que começaram em 1994, onde fadas, sátiros e outras criaturas variadas decretam cenários privados que fazem ressaltar as preocupações de Barney relativas às partes e os fluidos do corpo, relações hetero e homosexuais, atletismo e alquimia. A palavra “cremaster” (o fino músculo que sustenta os testículos) remete para a associação com um mundo fechado que está preparado para a actividade sexual, cheio de fantasias e desejos.

“Cremaster 1”

“Cremaster 3”

“Cremaster 5”

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Video clip

Video clips são, como o próprio nome indica, pequenos clips de vídeo, que normalmente fazem parte de um longo registo. O termo também é usado para se referir a qualquer pequeno vídeo que tenha menos duração do que um tradicional programa televisivo. Neste caso, refiro-me aos video clips que acompanham músicas, que são criados por um realizador que, por sua vez, se baseia na música que lhe é dada, com a finalidade da criação do respectivo video clip. São, portanto, chamados “vídeos de música” e são usados como ferramenta de propaganda para esses singles.

Actualmente, existem cada vez mais possibilidades para assistir a esses vídeos. Canais como MTV e VH-1 já passam músicas durante vinte e quatro horas por dia e estão a ter cada vez maior diversidade de listas. E ainda mais milagrosamente, com o advento do YouTube, as pessoas finalmente podem assistir a quase todos os vídeos que queiram ver e quando quiserem.

Artistas de video clip

Chris Cunningham

(n. 1970) é um realizador contemporâneo de video clips e filmes e é também artista de video art.

Cunningham tem criado laços com a Warp Records desde a sua primeira produção para os Autechre. Fez também, para Aphex Twin, os vídeos “Come to Daddy” e “Windowlicker”, tendo sido este último nomeado para o prémio de “Melhor Vídeo” nos Brit Awards 2000. O seu vídeo com Bjork, “All is full of love” ganhou múltiplos prémios, incluindo um prémio no MTV Music Video Awards para o Breakthrough Video, e também foi nomeado para vários eventos. Ele realizou igualmente “Frozen” de Madonna, que se tornou um êxito internacional e ganhou o prémio de “Melhores Efeitos Especiais” no MTV Music Video Awards de 1998.

Entrevista de Bjork e Chris Cunningham sobre “All is full of love”

All is full of love, Bjork (Chris Cunningham, 1999)

Frozen, Madonna (Chris Cunningham, 1998)

Come to Daddy, Aphex Twin (Chris Cunningham, 1997) (pertence à lista dos 100 melhores vídeos referida abaixo)

Windowlicker, Aphex Twin (Chris Cunningham, 1999) (pertence à lista dos 100 melhores vídeos referida abaixo)

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Spike Jonze

(n. 1969) é um realizador, produtor e actor, cujos trabalhos incluem vídeos de música, comerciais, filmes e televisão.

Também tem amizade com Bjork, e trabalha frequentemente com ela. Ele realizou três vídeos para ela e ela contribuiu com um tema seu para o filme de Spike, “Being John Malkovich”.

Da Funk, Daft Punk (Spike Jonze, 1996)

Sky’s the limit, Notorious B I G & 112 (Spike Jonze, 1997)

Weapon of choice, Fatboy Slim (Spike Jonze, 2001)

It’s, Oh, So Quiet”, Bjork (Spike Jonze, 1995)

(todos estes vídeos de Spike Jonze pertencem à lista dos 100 melhores vídeos referida abaixo)

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Abaixo estão alguns vídeos da selecção não oficial, feita pelo site Stylus (http://www.stylusmagazine.com/articles/weekly_article/stylus-magazines-top-100-music-videos-of-all-time.htm), dos 100 melhores vídeos que já foram feitos até hoje:

[“Nome da música”, Autor (Realizador, Ano)]

“Little Drummer Boy”, Bing Crosby & David Bowie (Dwight Herrison, 1977)

“Let Forever Be”, The Chemical Brothers (Michel Gondry, 1999)

“Shock the Monkey”, Peter Gabriel (Brian Grant, 1982)

“My Name Is”, Eminem (Philip Atwell & Dr. Dre, 1999)

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“…Baby One More Time”, Britney Spears (Nigel Dick, 1999)

“Smells Like Teen Spirit”, Nirvana (Samuel Bayer, 1991)

“Hey Ya”, OutKast (Bryan Barber, 2003)

“Thriller”, Michael Jackson (John Landis, 1983)

“Virtual Insanity”, Jamiroquai (Jonathan Glazer, 1997)

“Take on Me”, A-Ha (Steve Barron, 1985)

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